terça-feira, 25 de maio de 2010

Expressar ou não expressar os sentimentos?



Noutro dia, em roda de amigos se discutiam sobre a expressão de sentimentos.
Não era uma de minhas melhores semanas, não estava com vontade de dialogar, de modo que preferi ficar observando.
Logo, sem intenção, o grupo se dividiu em gêneros, travando a eterna briga entre os sexos. Ouvi alguém esclarecer que a mulher se abre mais facilmente e se decepciona com a mesma intensidade. Em contraponto, um dos rapazes explicou que os homens não se limitam às palavras e sim às atitudes.
Sei que o tema empolgou a todos, ocupando boa parte de nosso encontro e me lembro que houve concordância apenas em um quesito do debate: somos educados a não expor totalmente o que sentimos, com medo de retaliação.
Tomei mais um gole de vinho, meu velho amigo Cella bianco, me imaginando numa vinícula italiana, de pés descalços a contemplar uma paisagem campal subliminar, quando fui interrompida em meus devaneios para posicionar-me sobre a influências das regras da sociedade em nossa formação sexual.
Putz! Pensei. Do aconchego da Itália, só consegui trazer à mente escritos de Viena, do famoso Mal-estar na Civilização, de Freud (1930), que enfatiza a barganha feita pela sociedade para a sobrevivência, trocando nossos sentimentos mais primitivos pelas regras da sociedade.
No meu pensamento sabia que a escolha por esse texto tinha sentido e que titubeei em explanar sobre o assunto porque acabara de viver uma situação assim, de me sentir exposta e mal interpretada ao expressar meus sentimentos. Eu estava sentindo um certo mal-estar e não estava muito disposta a conversar, mas respirei fundo,pensei um pouco para não privilegiar a minha última vivência e deixar uma impressão pessimista.
Uma vez mais trouxe Freud à mente ao cogitar a solução para o sentido da vida...explanei sobre as individualidades, afinal cada caso é um caso. Se para alguns as regras culturais são entraves, para outros não são. E que independente das experiências ruins, sempre é válido a sua expressão, afinal, Freud aposta no amor como saída à humanidade, já que esse sentimento diminui drasticamente nossa agressividade e egoísmo biológico em razão do outro.
Minha fala só aqueceu os humores do grupo e logo levantaram novas enquetes sobre o tema. Eu continuei a degustar meu vinho, voltando vez ou outra à Itália, mas com a sensação de mal-estar diluída, porque gosto muito de pensar que tudo vale a pena em nossa vida, até mesmo nossos dissabores.
Salud!!

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sábado, 22 de maio de 2010

Lobão

Já faz um tempo que não apareço por aqui, acreditem, não foi por falta de inspiração, talvez excesso de realidade diante da vida cotidiana. Nesses momentos minhas reflexões aceleram, mas a escrita fica um pouco a desejar.
Ainda um pouco melancólica e saudosista, vou apenas fazer uma homenagem ao cantor Lobão, que vem a Presidente Prudente participar da Virada Cultural 2010, que acontecerá a partir das 18 hs de hoje até as 18 hs de domingo.
Adepta da cultura na rua, isto é, oferecimento de possibilidades culturais populares, acredito
que tais iniciativas instigam o nosso gosto, apreciação e reconhecimento pela arte, seja qual for sua expressão.
Então, compartilho a música " Essa noite não", composição de Lobão / Bernardo Vilhena / Ivo Meirelles / Daniele Daumérie. Qualquer semelhança com meu lado interno é pura coincidência (rs):

A cidade enlouquece sonhos tortos
Na verdade nada é o que parece ser
As pessoas enlouquecem calmamente
Viciosamente, sem prazer

A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não

As cortinas transparentes não revelam
O que é solitude, o que é solidão
Um desejo violento bate sem querer
Pânico, vertigem, obsessão

A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não

Tá sozinha, tá sem onda, tá com medo
Seus fantasmas, seu enredo, seu destino
Toda noite uma imagem diferente
Consciente, inconsciente, desatino

A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não

Até a próxima.
Beijos da Rê.

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