terça-feira, 5 de janeiro de 2010

FRASES INFELIZES





O bullying ocupacional é um fenômeno comum em nosso cotidiano. No uso coloquial descreve uma forma de assédio interpretado por alguém que está, de alguma forma, em condições de exercer o seu poder sobre alguém ou sobre um grupo mais fraco.

Pode ocorrer em situações envolvendo a escola ou faculdade/universidade, o local de trabalho, os vizinhos e até mesmo países. Para aqueles fora do relacionamento, parece que o poder do agressor depende somente da percepção da vítima, normalmente intimidada para oferecer alguma resistência. Todavia, a vítima geralmente tem motivos para temer o agressor, devido às ameaças ou concretizações de violência física/sexual, ou perda dos meios de subsistência.

Essa situação é seríssima e merecedora de atenção, principalmente judicial. Contudo a denúncia ainda é baixa com relação aos acontecimentos.
Em situações clínicas, quando conversamos com as vítimas, algumas relatam que em sua infância também sofriam tal retaliação, por parte de um membro da família.

Você seria capaz de recordar as frases que lhe foram ditas na infância e o influenciaram negativamente? Isto é, aquelas frases que fizeram com que você se sentisse mal, quase um zero à esquerda? É possível que alguns de nós recordemos de uma ou outra que fizeram a nossa infelicidade infantil. E se as recordamos, ainda hoje, passada a infância e adolescência, é porque verdadeiramente nos marcaram.

O importante, enquanto pais, é ter cuidado com palavras ditas na formação do individuo, que podem marcá-lo, tanto no desenvolvimento infantil, quanto em sua vida adulta.

Frases do tipo: "como é que você pode ser tão burro!" É uma delas, e de conseqüências desastrosas para o autoconceito da criança. Ela põe em dúvida, de forma muito clara, a sua capacidade. Afinal, o burro está associado ao incapaz, ao que não consegue fazer as coisas direito. Ao duvidar da habilidade do filho, os pais lhe passam a sensação de impotência que pode acompanhá-la para a vida toda. Além do que, se abraçar o conceito, a criança poderá passar a se comportar como tal. Tornar-se, de forma proposital, ainda que inconsciente, o burro que esperam que ela seja.

Sem dúvida, a frase é pronunciada nos momentos mais nevrálgicos do relacionamento entre pais e filhos. Por exemplo, quando a mãe entra na sala e descobre o pequeno pendurado na janela. Ela já lhe falou, pela suas contas, mais de mil vezes, para não subir. Assustada, com medo, ela corre, puxa o pequeno para dentro e lhe larga a frase, acrescentando: "já não lhe falei? Você não consegue aprender?" Melhor do que tal explosão, seria tornar a explicar à criança o perigo que ela corre repetindo aquele gesto.

Se contarmos até dez, dominarmos o nosso medo, com habilidade poderemos tirar a criança do perigo e lhe dizer: "janela não foi feita para subir." Colocamos os limites, sem agredir. Falamos da realidade da janela e dos perigos que ela representa, sem descer à questão da capacidade do pequeno em julgar se ele pode ou não subir ali sem problema.

É interessante considerar que os pais almejam que os filhos progridam, mas ás vezes os colocam obstáculos, criando-lhes situações plenamente dispensáveis.

Afinal, educar é tarefa que requer esforço, paciência, sendo desnecessário o uso de frases infelizes pronunciadas na infância ou na adolescencia, que nada mais são do que uma forma de bullying, isto é, de violência que pode ser repetida em situações de trabalho na vida adulta, seja como vítima ou agressor.

Sugiro cuidado com o que dissermos às pessoas e principalmente respeito!!!

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