Uma introdução ao mundo do trabalho
Idealizei esse blog para pensar nas interfaces que perpassam o universo do trabalho.
E como abre alas, usei na postagem anterior, as boas palavras de Charlin Chaplin, que não viu o Capitalismo de hoje,
mas já o preconizava no filme "Tempos Modernos".
O Capitalismo está arraigado nas relações de trabalho, bem sabe-se, mas o que é o trabalho?
A noção de trabalho remete a vários significados. O seu conceito pertence à esfera da reflexão cotidiana e teórica, onde o seu sentido trafega em uma via de mão-dupla, que, ao mesmo tempo em que diverge, converge como expressão da atividade que transforma o ser humano e a realidade.
Bravermann (1997, p.49), estudioso no assunto, diz que o trabalho “é uma atividade que altera o estado natural dos materiais para melhorar sua utilidade [ ]”, ou seja, atua sobre a natureza a fim de transformá-la para melhor satisfazer suas necessidades; portanto, o trabalho como atividade, tanto humaniza como naturaliza o homem. Desta forma, ao transformar os bens materiais, o ser humano se modifica a si mesmo e aos outros.
O conceito de trabalho, ao constituir-se pela ação do ser humano trabalhador, contribuiu para esta mudança sem perceber a separação do trabalho em toda sociedade. Isto equivale dizer que, nesta relação, o ser humano se apropria da cultura estabelecida entre si, elaborando, criando e recriando o mundo do trabalho.
Estas elaborações remetem à origem do conceito do trabalho expressado na esfera social, como elemento organizador da vida social na era da modernidade, já que na Antiguidade, trabalho, expressava a perda da liberdade, ou seja, a “submissão do homem a outro homem ou a uma profissão.” (MENEGASSO,1998).
De acordo com Ferreira (1975) a palavra trabalho é definida como “[...] atividade coordenada, de caráter físico e/ou intelectual, necessária à realização de qualquer tarefa”, cujo significado provém do latim trabalho – “tripalium”: instrumento de tortura e “tripaliari”: torturar. Os gregos utilizavam um sentido diferente de trabalho- ponos - esforço e penalidade, e ergon – criação, obra de arte.”
Etimologicamente, o trabalho traz uma conotação negativa, cujo conteúdo e organização, além de suplantar a idéia de maldição e punição, compõe-se de um comportamento que pressupõe a sujeição do corpo por um processo mudo, invisível e
que é alienante.
A designação do significado da palavra “trabalho – ponos”, que faz referência ao esforço e à penalidade, e ergon, que designa criar, obra de arte, estabelecendo a diferença de trabalho no sentido de pensar e no sentido de penar remete significados que permitiram reconhecer que as concepções de trabalho não correspondem necessariamente, aos mecanismos reguladores da vida social através da sobrevivência. Pelo contrário, a concepção grega de trabalho, no mundo ocidental, é que trouxe a noção de trabalho como produtor de valores de uso, o trabalho elaborado para a sua consecução e satisfação de necessidades.
Por sua vez, este trabalho é denominado de criador de valor e de troca, à medida que deixou, ainda na Idade Média, de ser valor de uso. Essa percepção de valor é introduzida pelo capital, quando esse homogeneizou e universalizou o seu próprio valor. Por isso, a cristalização da concepção de trabalho na modernidade é desvinculada da antiguidade, quando o trabalho é gerido como meio e não como fim; nele a sociedade situa-se pela transformação da natureza pelo homem. Esta relação requer a distinção entre homens livres, desprovidos da obrigação do trabalho, e o homem escravo, incluso na relação de trabalho.
Codo revela:
" O trabalho é mágico porque é duplo, carrega em si a maldição da mercadoria, a fantasmagoria do dinheiro: de um lado aparece como valor de uso, realizador de produtos capazes de atender necessidades humanas; de outro, como valor de troca, pago por salário, criador de mercadoria, e ele mesmo é uma mercadoria". (CODO, 1993, p.97).
Ainda, a partir do século XVII, o trabalho conotava concepção divergente da Antiguidade. Estas concepções embaladas pela tradição cristã estabeleceram dois parâmetros de mediação; era vislumbrado por um lado, sob a ótica da reforma protestante como instrumento de salvação e sua realização um apelo da vontade divina e por outro, o calvinismo sendo visto como instrumento de riqueza. Dessa forma, revela-se assim o produtor e o produto homogeneizado na figura do ser trabalhador, cujo sentido significa o conjunto do seu ato de transformar natureza pelo trabalho.
Percebe-se, então, que o trabalho se constituiu, na vida moderna, como trabalho assalariado composto tanto pelo seu valor de uso como pelo valor de troca. Agora, como uma atividade necessária à reprodução da vida, configurado na sociedade contemporânea como divisão social do trabalho na condição de emprego.
Essa reinvenção do trabalho pelo emprego é tratada por Menegasso (1998, p.78), como [...] uma atividade compulsiva e incessante, [ ] a aceitação voluntária de um sofrimento sem outro sentido senão ele próprio.” Nesse contexto, a atividade laboral foi se organizando e se transformando numa escala crescente, numa sociedade caracterizada pela valoração que o capital deposita em certas formas de trabalho, numa relação onde já não se cumpre o trabalho fora do capital.
Essas novas condições de reorganização das estruturas do capital condicionaram a verticalização das novas necessidades dos trabalhadores, decorrentes das transformações do mundo do trabalho, impactando o contexto sócio - político –econômico do mundo do homem que vive do trabalho.
E é nesta relação do homem com o trabalho, que proponho uma reflexão, um olhar...
E como abre alas, usei na postagem anterior, as boas palavras de Charlin Chaplin, que não viu o Capitalismo de hoje,
mas já o preconizava no filme "Tempos Modernos".
O Capitalismo está arraigado nas relações de trabalho, bem sabe-se, mas o que é o trabalho?
A noção de trabalho remete a vários significados. O seu conceito pertence à esfera da reflexão cotidiana e teórica, onde o seu sentido trafega em uma via de mão-dupla, que, ao mesmo tempo em que diverge, converge como expressão da atividade que transforma o ser humano e a realidade.
Bravermann (1997, p.49), estudioso no assunto, diz que o trabalho “é uma atividade que altera o estado natural dos materiais para melhorar sua utilidade [ ]”, ou seja, atua sobre a natureza a fim de transformá-la para melhor satisfazer suas necessidades; portanto, o trabalho como atividade, tanto humaniza como naturaliza o homem. Desta forma, ao transformar os bens materiais, o ser humano se modifica a si mesmo e aos outros.
O conceito de trabalho, ao constituir-se pela ação do ser humano trabalhador, contribuiu para esta mudança sem perceber a separação do trabalho em toda sociedade. Isto equivale dizer que, nesta relação, o ser humano se apropria da cultura estabelecida entre si, elaborando, criando e recriando o mundo do trabalho.
Estas elaborações remetem à origem do conceito do trabalho expressado na esfera social, como elemento organizador da vida social na era da modernidade, já que na Antiguidade, trabalho, expressava a perda da liberdade, ou seja, a “submissão do homem a outro homem ou a uma profissão.” (MENEGASSO,1998).
De acordo com Ferreira (1975) a palavra trabalho é definida como “[...] atividade coordenada, de caráter físico e/ou intelectual, necessária à realização de qualquer tarefa”, cujo significado provém do latim trabalho – “tripalium”: instrumento de tortura e “tripaliari”: torturar. Os gregos utilizavam um sentido diferente de trabalho- ponos - esforço e penalidade, e ergon – criação, obra de arte.”
Etimologicamente, o trabalho traz uma conotação negativa, cujo conteúdo e organização, além de suplantar a idéia de maldição e punição, compõe-se de um comportamento que pressupõe a sujeição do corpo por um processo mudo, invisível e
que é alienante.
A designação do significado da palavra “trabalho – ponos”, que faz referência ao esforço e à penalidade, e ergon, que designa criar, obra de arte, estabelecendo a diferença de trabalho no sentido de pensar e no sentido de penar remete significados que permitiram reconhecer que as concepções de trabalho não correspondem necessariamente, aos mecanismos reguladores da vida social através da sobrevivência. Pelo contrário, a concepção grega de trabalho, no mundo ocidental, é que trouxe a noção de trabalho como produtor de valores de uso, o trabalho elaborado para a sua consecução e satisfação de necessidades.
Por sua vez, este trabalho é denominado de criador de valor e de troca, à medida que deixou, ainda na Idade Média, de ser valor de uso. Essa percepção de valor é introduzida pelo capital, quando esse homogeneizou e universalizou o seu próprio valor. Por isso, a cristalização da concepção de trabalho na modernidade é desvinculada da antiguidade, quando o trabalho é gerido como meio e não como fim; nele a sociedade situa-se pela transformação da natureza pelo homem. Esta relação requer a distinção entre homens livres, desprovidos da obrigação do trabalho, e o homem escravo, incluso na relação de trabalho.
Codo revela:
" O trabalho é mágico porque é duplo, carrega em si a maldição da mercadoria, a fantasmagoria do dinheiro: de um lado aparece como valor de uso, realizador de produtos capazes de atender necessidades humanas; de outro, como valor de troca, pago por salário, criador de mercadoria, e ele mesmo é uma mercadoria". (CODO, 1993, p.97).
Ainda, a partir do século XVII, o trabalho conotava concepção divergente da Antiguidade. Estas concepções embaladas pela tradição cristã estabeleceram dois parâmetros de mediação; era vislumbrado por um lado, sob a ótica da reforma protestante como instrumento de salvação e sua realização um apelo da vontade divina e por outro, o calvinismo sendo visto como instrumento de riqueza. Dessa forma, revela-se assim o produtor e o produto homogeneizado na figura do ser trabalhador, cujo sentido significa o conjunto do seu ato de transformar natureza pelo trabalho.
Percebe-se, então, que o trabalho se constituiu, na vida moderna, como trabalho assalariado composto tanto pelo seu valor de uso como pelo valor de troca. Agora, como uma atividade necessária à reprodução da vida, configurado na sociedade contemporânea como divisão social do trabalho na condição de emprego.
Essa reinvenção do trabalho pelo emprego é tratada por Menegasso (1998, p.78), como [...] uma atividade compulsiva e incessante, [ ] a aceitação voluntária de um sofrimento sem outro sentido senão ele próprio.” Nesse contexto, a atividade laboral foi se organizando e se transformando numa escala crescente, numa sociedade caracterizada pela valoração que o capital deposita em certas formas de trabalho, numa relação onde já não se cumpre o trabalho fora do capital.
Essas novas condições de reorganização das estruturas do capital condicionaram a verticalização das novas necessidades dos trabalhadores, decorrentes das transformações do mundo do trabalho, impactando o contexto sócio - político –econômico do mundo do homem que vive do trabalho.
E é nesta relação do homem com o trabalho, que proponho uma reflexão, um olhar...
Dessa maneira convido a todos, está aberta a sessão. Ops! Muito político e esses não tem uma boa reputação atualmente. Melhor dizendo, saúdo a todos que se interessarem pelo assunto, a compartilhar pensamentos. Sejam bem-vindos! Welcome! Benvenidos!
Abraços da Renata.



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