terça-feira, 1 de setembro de 2009

Hard work



Ao iniciar o mestrado em Psicologia na UNESP, em março de 2008, conheci o Zé (Dr. José Luiz Guimarães), pessoa simples, trabalhava muito, mas, acessível, sempre pronto em ajudar os alunos a desenvolverem o seu potencial no programa de Pós-Graduação.
Ele não era meu orientador e sim vizinho de sala. Explico. O programa da Pós se divide em duas linhas de pesquisa distintas, das quais eu faço parte de uma e ele de outra, todavia, a sala da Coordenação era do lado da minha orientadora. E frequentemente compartilhávamos pensamentos acerca da minha pesquisa e discência.
A simpatia foi crescente e no momento da qualificação da pesquisa,quando a minha orientadora sugeriu, não titubeei, convidei-o para a banca. Uma escolha sábia, pois, sua contribuição só fez aumentar minha admiração. Sem contar as boas palavras de melhoramento e incentivo no dia do evento.
Ainda ontem olhava as observações a lápis que ele fizera na minha dissertação e eu, cogitava conversas, planos, projetos, etc. Confesso, esses momentos nos remetem àquela sensação e pensamento de que podíamos ter feito isso, falado aquilo...Ahh!!! A tal sensação de perda.
Sentimos esse "podia ter feito melhor" sempre que perdemos alguém ou algo.No caso, alguém - o Zé!
Foi um ataque cardíaco, fulminante! Algo comum nos homens acima de 40 anos, embora não seja privilégio mais do sexo masculino.Não houve tempo para despedidas,de por o trabalho em ordem, fazer um discurso preparatório para a esposa e única filha de 15 anos. Nada!

Tempos Modernos de Chaplin? Modernidade líquida de Bauman? Contemporâneidade de muitos.
Nos ocupamos com a vida profissional e não observamos os sinais de nosso corpo pedindo "time for you". Havia pistas: a pressão estava alta, sentira-se mal no final de semana, mas, continuou com sua rotina ocupacional e pessoal. "Vai passar!", deve ter pensado, ou "depois vejo isso, tenho muito a fazer na Universidade". Não passou e os despachos institucionais ficaram sob sua mesa.
Sinceramente não tenho nada contra a dedicação no trabalho, também sou uma das pessoas que se dedicam a ele intensivamente. No entanto, reflito: essa perda chama a atenção para que observemos os sinais, pois, apesar de toda tecnologia e culto á perfeição e longevidade, não somos máquinas e como tal, temos limites.
Em outras palavras, obviamente não podemos ignorar a economia na qual vivemos e todo o sistema capitalista. Não faço apologia ao socialismo, comunismo ou outros "ismos", sobretudo alerto para o limite.
Ora, se a criança precisa de limites para aprender a conviver em sociedade, o adulto também, na medida que não pode e não deve viver para o trabalho e sim trabalhar para viver.
O coração não pode parar aos 40 anos!
A vida não se limita a trabalhar!
Ao nosso grande mestre, o meu muito obrigada. Saudades da pessoa.

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