segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Visão seletiva: Borboleta-lagarta ou lagarta-borboleta?





Hoje gostaria de chamar a atenção para o processo da lagarta - o de entrar em um casulo escuro, sem alimentos, sozinha,para depois transformar-se em uma bela borboleta, cheia de cores.
Poderíamos pensar em diversas coisas da nossa vida que se remeteriam a essa vivência, como por exemplo: formação profissional, conquistas pessoais, relacionamentos, etc...No entanto, pensei no olhar que fazemos sobre o que vemos em nosso cotidiano.
Sabe-se que temos visão seletiva, dependendo da situação, momento, estímulo e que pode-se mudar de percepção considerando essas variáveis.
Pois bem, vejam um exemplo que ocorreu comigo.Moradora no interior de são Paulo, mais precisamente 587 Km da Capital, residente próximo da Rodoviária da cidade, passo frequentemente por essa, a fim de ir ao trabalho.
Especificamente sobre a Rodoviaria, minhas impressões eram de um lugar simples, razoavelmente cuidado, pequeno e pacato; até o dia em que passei a frequentá-la mais assiduamente, já que tinha receio de dirigir até Campinas, local onde fazia uma disciplina do mestrado.
Observando melhor, pude notar além da arquitetura, que não era simples e pequena somente e sim descuidada, perigosa para transitar. Lugar inóspito, sem segurança nenhuma, onde mendigos transitam, abordam os viajantes e tiram suas sonecas, sem contar prostitutas, vendendores e usuários de drogas.
Um descaso!! Pois trata-se de uma cidade com aproximadamente 206 mil habitantes, eixo que liga os Estados do Mato Grosso do Sul com Paraná.
Certa vez cheguei de viagem de madrugada, exausta(após 9 hs dentro do ônibus extremamente polar, devido ar condicionado) aguardava meu marido para descansar e ter mais um dia de trabalho. Estava em umas portas de saída, quando observo olhares de um rapaz estranho. Ele cuidava meticulosamente dos meus movimentos. Um carro aproximou e achei que era para mim, não era, e quando voltava o rapaz veio em minha direção, só desviando porque ouviu barulho do moço da limpeza, que percebeu o que se passaria ali. Ufa, que medo!!
Pensei, puxa, as pessoas não sabem como é esse lugar, o quao intimidador e passível de violência.
Eu, dentro do meu casulo não via nada, que tipo de borboleta serei?
O meu olhar era como o de muitas pessoas, só alcançava o trivial, confortável dentro do meu carro, que incomodou-se quando fui fazer o vôo da borboleta e não encontrei as flores coloridas.
Vivemos chocados com noticiários da TV, reclamamos do governo e não notamos o nosso lado, tampouco cobramos mudanças.
Selecionamos nossa visão, nos transformamos em borboletas com pensamento de lagarta, que apesar das asas e possibilidades, preferimos o aconchegante casulo. Só não sei até quando!Só não sei nem pra onde ou por que! Apenas convido-os para um novo olhar. A sermos uma lagarta-borboleta.

2 comentários:

Évell Nunez 24 de setembro de 2009 às 13:33  

Concordo com vc, devemos deixar um pouco nosso mundinho e olhar-mos mais ao redor.

Renata Sobral 26 de setembro de 2009 às 10:01  

Sem dúvida Évell...apareça sempre!!

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