domingo, 6 de junho de 2010

A Ana e a Academia


Momentos prévios de defesa do mestrado, após dois anos de dedicação, costumam gerar sensações e sentimentos peculiares a quem os experimenta. Independente de um sabor doce ou salgado, um filme passa em nossas mentes, referente às vivências desse período.
Para alguns mera conquista de título para galgar um emprego melhor, para outros realização pessoal com gosto de contribuição à sociedade. Embora deseje o trabalho, optei pela última, e tive o prazer de estar com outros idealizadores, entendendo aqui a ideologia como desejo de mudança e não como alienação.
Foi assim o meu encontro com a Ana...mulher, menina, militante e idealista. Com ela, mudamos o mundo em nossas mentes, várias vezes. Deixamos-os justo!
Idealizamos até o "grã-finale" - a defesa do mestrado, com a composição da banca e toda sua formalidade. Versos, música, poemas eram os aparatos para expressar à Academia todo o nosso amor pela humanidade e desejo de mudança,inclusive do próprio templo do suposto saber. No entanto, antes disso fomos barradas pelas cinzentas regras...Sim, mas uma vez elas! Os padrões nos obriga a uma apresentação tecnocrata e a uma avaliação idem. Por quê? Para quê? E a criatividade? O novo? Todas orientadas a serem deixadas de lado e reproduzir um pouco mais do mesmo!
Compartilhando a indignação, fecho o meu desabafo com as palavras da querida Ana,que como diz a música de Ana Cañas, é doce, mas quando azeda...e brilhantemente representa nossa ira atual, chamada por ela de Verborragia:


" A Academia é feita para poucos!!! Não há dúvidas senhores. Engendrada pela razão tecnocrática com nuances científicos, galga aos níveis mais altos da produção em massa de iguais. Não senhores, esta Academia não serve para mim de fato, tão singular. Tolheu minha poesia e desrespeitou meu povo. Esse povo que serve de base para produção científica, e fica com a vida aprisionada nos livros esquecidos das bibliotecas. Eu gosto é do cheiro, da cor, da estética, da ética de da política desse povo. E se não fizer sentido para esse meu povo, não fará para as bases de dados dessas universidades tão positivistas. Estão aprisionando a liberdade criativa dentro da formalidade dos iguais. Criação? Não, a Academia não permitirá!!! Idéias inovadoras? Guarde as para o bar, onde de fato, as pessoas apresentam capacidade intelectual para o novo, para a vida e para a filosofia".

Podemos tentar amiga...fazer a diferença, sempre!
Conte comigo!!

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terça-feira, 25 de maio de 2010

Expressar ou não expressar os sentimentos?



Noutro dia, em roda de amigos se discutiam sobre a expressão de sentimentos.
Não era uma de minhas melhores semanas, não estava com vontade de dialogar, de modo que preferi ficar observando.
Logo, sem intenção, o grupo se dividiu em gêneros, travando a eterna briga entre os sexos. Ouvi alguém esclarecer que a mulher se abre mais facilmente e se decepciona com a mesma intensidade. Em contraponto, um dos rapazes explicou que os homens não se limitam às palavras e sim às atitudes.
Sei que o tema empolgou a todos, ocupando boa parte de nosso encontro e me lembro que houve concordância apenas em um quesito do debate: somos educados a não expor totalmente o que sentimos, com medo de retaliação.
Tomei mais um gole de vinho, meu velho amigo Cella bianco, me imaginando numa vinícula italiana, de pés descalços a contemplar uma paisagem campal subliminar, quando fui interrompida em meus devaneios para posicionar-me sobre a influências das regras da sociedade em nossa formação sexual.
Putz! Pensei. Do aconchego da Itália, só consegui trazer à mente escritos de Viena, do famoso Mal-estar na Civilização, de Freud (1930), que enfatiza a barganha feita pela sociedade para a sobrevivência, trocando nossos sentimentos mais primitivos pelas regras da sociedade.
No meu pensamento sabia que a escolha por esse texto tinha sentido e que titubeei em explanar sobre o assunto porque acabara de viver uma situação assim, de me sentir exposta e mal interpretada ao expressar meus sentimentos. Eu estava sentindo um certo mal-estar e não estava muito disposta a conversar, mas respirei fundo,pensei um pouco para não privilegiar a minha última vivência e deixar uma impressão pessimista.
Uma vez mais trouxe Freud à mente ao cogitar a solução para o sentido da vida...explanei sobre as individualidades, afinal cada caso é um caso. Se para alguns as regras culturais são entraves, para outros não são. E que independente das experiências ruins, sempre é válido a sua expressão, afinal, Freud aposta no amor como saída à humanidade, já que esse sentimento diminui drasticamente nossa agressividade e egoísmo biológico em razão do outro.
Minha fala só aqueceu os humores do grupo e logo levantaram novas enquetes sobre o tema. Eu continuei a degustar meu vinho, voltando vez ou outra à Itália, mas com a sensação de mal-estar diluída, porque gosto muito de pensar que tudo vale a pena em nossa vida, até mesmo nossos dissabores.
Salud!!

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sábado, 22 de maio de 2010

Lobão

Já faz um tempo que não apareço por aqui, acreditem, não foi por falta de inspiração, talvez excesso de realidade diante da vida cotidiana. Nesses momentos minhas reflexões aceleram, mas a escrita fica um pouco a desejar.
Ainda um pouco melancólica e saudosista, vou apenas fazer uma homenagem ao cantor Lobão, que vem a Presidente Prudente participar da Virada Cultural 2010, que acontecerá a partir das 18 hs de hoje até as 18 hs de domingo.
Adepta da cultura na rua, isto é, oferecimento de possibilidades culturais populares, acredito
que tais iniciativas instigam o nosso gosto, apreciação e reconhecimento pela arte, seja qual for sua expressão.
Então, compartilho a música " Essa noite não", composição de Lobão / Bernardo Vilhena / Ivo Meirelles / Daniele Daumérie. Qualquer semelhança com meu lado interno é pura coincidência (rs):

A cidade enlouquece sonhos tortos
Na verdade nada é o que parece ser
As pessoas enlouquecem calmamente
Viciosamente, sem prazer

A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não

As cortinas transparentes não revelam
O que é solitude, o que é solidão
Um desejo violento bate sem querer
Pânico, vertigem, obsessão

A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não

Tá sozinha, tá sem onda, tá com medo
Seus fantasmas, seu enredo, seu destino
Toda noite uma imagem diferente
Consciente, inconsciente, desatino

A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não

Até a próxima.
Beijos da Rê.

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domingo, 14 de março de 2010

Dilma x Serra: critérios de escolha (se é que temos escolha)...


















Olá queridos...

Passei uma semana infernal, que com certeza tiraram um pouco do humor que faz parte do meu ser. E a gota d´água compartilharei com vocês...Recebi há pouco um email comparativo entre os pré-candidatos à república enunciando ser um critério importantíssimo em nossa escolha política.
Vejam abaixo:

Façam suas reflexões... e decidam !! abs - Aldo.

O post abaixo é uma primeira versão de uma biografia comparada entre José Serra(PSDB-SP) e Dilma Rousseff(PT-RS), para ser espalhada pelos quatro cantos do Brasil. Não há nenhuma mentira neste levantamento de dados e fatos sobre a vida pública dos dois oponentes. Os Blogs pela Democracia tem o papel de colocar a verdade para o eleitorado médio, aquele que está longe dos blogs políticos. Precisamos, além do nosso trabalho dentro do nosso ambiente, transformar este tipo de post em e-mail, em corrente, em material para orkut, em informação para as redes sociais. Este é o nosso trabalho. Aprimorem esta comparação. Criem a sua própria. Levantem novos dados. O importante é confrontar os dois candidatos. Quando a campanha começar, boa parte do Brasil já vai estar conhecendo José Serra e Dilma Rousseff. Com capacidade de julgar e escolher o que é melhor para o Brasil.

Aí vai, etapa por etapa, a vida dos dois:José Serra tem 68 anos, é paulista, filho de imigrantes italianos, o pai vendedor de frutas no Mercado Público, foi criado em uma pequena casa quarto e sala, geminada com outras 24, em São Paulo.Dilma Rousseff tem 62 anos, é mineira, filha de um imigrante húngaro, rico empreiteiro e dono de construtora, proprietário de dezenas de imóveis em Belo Horizonte, foi criada em um grande e espaçoso apartamento em Belo Horizonte.Somente quando chegou ao Científico, a família Serra mudou-se para um apartamento de dois quartos, alugado. Antes disso, moraram em uma pequena casa em rua de chão batido.Imóvel não era problema para a rica família Rousseff, que passava férias no Rio. Um dos espaçosos apartamentos foi cedido para Dilma utilizar, exclusivamente, como esconderijo seguro para os grupos terroristas dos quais participava, de onde saíam para praticar atentados, roubar e seqüestrar.No início dos anos sessenta, vinculado à política estudantil, Serra foi presidente da União Estadual de Estudantes, de São Paulo, e da União Nacional dos Estudantes, com apoio da Juventude Católica. Democrata, sempre usou o palanque e a tribuna como armas, jamais integrando grupos terroristas e revolucionários manipulados pelo comunismo internacional.Dilma, por sua vez, neste mesmo período, fazia política estudantil nas escolas mais burguesas de Belo Horizonte. Em 1963, ingressou no curso clássico e passou a comandar uma célula política em uma das mais tradicionais escolas da cidade, onde conheceu futuros companheiros de guerrilha, como o atual prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.Em 1964, exilou-se na Bolívia e, posteriormente, na França, retornando ao Brasil em 1965, na clandestinidade. Ainda neste ano, foi para o Chile, onde ficou durante oito anos. Com a queda de Allende, foi para a Itália e, posteriormente, para os Estados Unidos. Teve uma vida extremamente produtiva no exílio, onde adquiriu sólida formação acadêmica, foi professor e consultor.Em 1964, Dilma começou a conviver com terroristas de esquerda, iniciando a sua carreira como militante na luta armada. Neste período ingressou na POLOP, Política Operária, onde militou até ingressar na universidade.Em 1967, Serra casou-se com a psicóloga e bailarina Sílvia Mônica Allende, com quem tem dois filhos e dois netos e continua até hoje casado.Dilma também casou-se em 1967, com o terrorista e guerrilheiro Cláudio Galeno de Magalhães Linhares ("Aurelio", "Lobato"). Quando o primeiro marido a deixou, para ir cumprir missões em outros países, sequestrando um avião no Uruguai, por exemplo, teve um segundo casamento com Carlos Franklin Araújo, com quem teve uma filha. Desde 2000, não está casada.Serra interrompeu a sua formação acadêmica em função do exílio, que impediu que seguisse a carreira de Engenheiro. No entanto, no Chile, fez um mestrado em Economia e foi professor de matemática na CEPAL. Posteriormente, nos Estados Unidos, fez mais um mestrado e um doutorado na prestigiada Universidade de Cornell.Tem uma das mais sólidas formações na área no Brasil.Dilma ingressou em 1967 na faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Ali participou da criação do sanguinário grupo COLINA, Comando de Libertação Nacional. Posteriormente, participou ativamente da fusão entre a COLINA e a VPR, Vanguarda Popular Revolucionária, quando surgiu a violenta VAR-P, Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, responsável por dezenas de crimes contra civis e militares.Serra permaneceu 10 anos longe do Brasil. Retornou em 1977, dois anos antes da Lei da Anistia, sendo um dos únicos que voltou sem nenhuma garantia de liberdade e ainda com os direitos políticos cassados.Enquanto isso, Dilma estava na clandestinidade, participando de ações armadas, recebendo treinamento para guerrilha no exterior, ministrado por organizações comunistas internacionais. Aprendeu a usar o fuzil com maestria, especialmente na atividade de montá-lo e desmontá-lo no escuro. Foi presa em 1970, permanecendo nesta condição até 1973.Em 1978, Serra iniciou a sua carreira política, que este ano completa 32 anos. Neste ano, teve sua candidatura a deputado impugnada, sob a alegação de que ainda estava com os direitos políticos suspensos. Foi admitido como professor de Economia na UNICAMP, onde ficou até 1984.Em 1973, Dilma Rousseff retomou o curso de Economia na UFRGS, no Rio Grande do Sul, onde estava preso seu segundo marido, Carlos Araújo. Ingressou, junto com o marido, no PDT e recebeu um cargo de estagiária na Fundação de Economia e Estatística, em 1977. Em 1978, Dilma Rousseff começou a fazer o mestrado na UNICAMP e, depois, o doutorado. Durante anos, mentiu em seu currículo que tinha concluído os dois cursos quando, na verdade, mal cursou os créditos, que representa quando muito 10% de um título acadêmico strictu sensu. Em 1983, Serra iniciou, efetivamente, a sua carreira como gestor, assumindo a Secretária de Planejamento do Estado de São Paulo.Em 1985, Dilma assumiu a Secretaria Municipal da Fazenda, em Porto Alegre, no governo do pedetista Alceu Collares, com quem tem uma dívida de gratidão. Hoje Collares é conselheiro de Itaipu.Em 1986, Serra foi eleito deputado constituinte, com a maior votação do estado de São Paulo. Foi o deputado que aprovou mais emendas no processo da Constituinte: apresentou 208 e aprovou 130, uma delas criando o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Liderou toda a reformulação orçamentária e de planejamento do país, no período, que começaram a estruturar as finanças brasileiras, preparando-as para o futuro Plano Real.Dilma saiu da Secretaria da Fazenda de Porto Alegre em 1988, sendo substituída pelo hoje blogueiro Políbio Braga, que afirma: "ela não deixou sequer um relatório, e a secretaria era um caos."Serra foi um dos fundadores do PSDB, em 1988. Foi derrotado por Luiz Erundina, do PT, nas eleições para prefeito de São Paulo. Em 1990, foi reeleito deputado federal com a maior votação em São Paulo.Em 1989, Dilma foi nomeada Diretora-Geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, na cota do marido no PDT. Alguns meses depois foi demitida, pois não obedecia horários e faltava a todas as reuniões, segundo Valdir Fraga, o presidente da Casa, à época. Em 1994, Serra foi um dos grandes apoiadores do Plano Real, mesmo com idéias própria que o indispuseram, por exemplo, com Ciro Gomes. Neste ano, foi eleito senador por São Paulo, com mais de seis milhões de votos. Em seguida, assumiu o Ministério do Planejamento.Em 1995, voltou para a FEE, mas como funcionária, já que o PDT havia perdido a eleição. Ali editou uma revista de indicadores econômicos, enquanto tentava acertar o seu “doutorado” na UNICAMP.Em 1998, José Serra assumiu o Ministério da Saúde, criando os genéricos e o Programa de Combate a AIDS. Criou a ANS e ANVISA. Foi considerado, internacionalmente, como uma referência mundial em gestão na área.Em 1998, na cota do PDT, assume a Secretaria de Minas e Energia, no governo petista de Olívio Dutra, eleito governador gaúcho.Vendo que o partido de Brizola estava decadente, ingressou no PT.Em 2002, Serra candidatou-se à Presidência, sendo derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.Em 2002, Dilma foi nomeada ministra das Minas e Energia do governo Lula, puxando o tapete de Luiz Pinguelli Rosa, mestre em engenharia nuclear e doutor em física, que coordenava oi grupo de transição.Em 2004, Serra elegeu-se Prefeito de São Paulo.Em junho de 2005, Dilma assumiu o lugar de José Dirceu, o chefe da sofisticada organização criminosa do mensalão, sendo saudada por ele como “companheira de armas e de lutas”, em memória aos tempos da guerrilha.Em 2006, elegeu-se Governador de São Paulo, cargo que exerce até os dias de hoje. É o candidato natural da oposição à Presidência da República.De lá para cá, vem sendo imposta por Lula como a candidata biônica do PT à presidência da república. No dia 20 de fevereiro de 2010, foi ungida, sem nunca ter conquistado um só cargo público pelo voto ou por concurso, a candidata da situação à sucessão de Lula.

P.S.: Eu sei que a intenção do Aldo não foi enaltecer a Dilma, pelo contrário, mas acho perigoso usarmos alguns tipos de comparações, porque podem reforçar a idéia de que competência está atrelada à história de pobreza e luta pela superação. E sinceramente, chega de LULA em nossas vidas.

Está dito...beijos e que a minha próxima semana venha mais leve, se depender do desabafo já está!!

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Nova versão da Formiguinha e a Cigarra




Era uma vez, uma formiguinha e uma cigarra muito amigas.
Durante todo o outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de inverno. Não aproveitou nada do sol, da brisa suave do fim da tarde e nem do bate papo com os amigos ao final do trabalho tomando uma cervejinha. Seu nome era "trabalho" e seu sobrenome "sempre".

Enquanto isso, a cigarra só queria saber de cantar nas rodas de amigos e nos bares da cidade; não desperdiçou um minuto sequer, cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o sol, curtiu para valer sem se preocupar com o inverno que estava por vir.

Então, passados alguns dias, começou a esfriar. Era o inverno que estava começando. A formiguinha, exausta de tanto trabalhar, entrou para a sua singela e aconchegante toca repleta de comida.

Mas alguém chamava por seu nome do lado de fora da toca. Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpresa com o que viu: sua amiga cigarra estava dentro de uma Ferrari com um aconchegante casaco de vison.
E a cigarra disse para a formiguinha:
- Olá, amiga, vou passar o inverno em Paris. Será que você poderia cuidar da minha toca?
E a formiguinha respondeu:
- Claro, sem problemas ! Mas o que lhe aconteceu ? Como você conseguiu dinheiro para ir a Paris e comprar esta Ferrari ?
E a cigarra respondeu:
- Imagine você que eu estava cantando em um bar na semana passada e um produtor gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer shows em Paris... A propósito, a amiga deseja algo de lá?
- Desejo sim. Se você encontrar o La Fontaine (autor da fábula original) por lá, manda ele ir para a puta que pariu!!!

Moral da História:
"Aproveite sua vida, saiba dosar trabalho e lazer, pois trabalho em demasia só traz benefício em fábulas do La Fontaine e ao seu patrão."

Trabalhe, mas curta a sua vida. Ela é única!!

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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Avatar: Refletindo sobre o sentimento de vazio.




Com uma marca de US$ 1.843.700.000,00 e indicação ao Oscar, o filme AVATAR de James Cameron além de mostrar diferenciais na tecnologia 3D nos provoca a refletir sobre os nossos tempos - a chamada modernidade e suas decorrências.
Limitações físicas e psicológicas, sentimentos contraditórios, poder, ambição, diferenças culturais, devastação ambiental em nome do crescimento econômico, avanço da ciência e seu bom e mau uso, entre outros assuntos podem ser observados na película. Por não ser viável discutir todos os pontos hoje, ressalto o sentimento de vazio do personagem principal Jake Sully (Sam Worthington), ex-fuzileiro paraplégico, que após perder o irmão gêmeo, cientista do programa Avatar no planeta Pandora, assume seu lugar por similaridade genética, permitindo compatibilidade com o Avatar do irmão. Logo, estar em outro corpo, mesmo de um ser de outro planeta proporciona ao protagonista experiências intensas, tais como: andar novamente e conhecer a cultura Na`vi, cuja filosofia de vida é a harmonia com a natureza. O resultado é o encantamento e afetividade com o novo povo, bem como a mensagem de que há um caminho para nossa civilização, se seguirmos os princípios Na´vianos.
Fora dos settings de filmagem, criar um Avatar é um fenômeno de sucesso conhecido dos internautas. Talvez, um meio de fuga do nosso próprio sentimento de vazio ou da realidade competitiva que incute a perfeição estética e o consumismo às pessoas, ou simplesmente um modo de adesão aos valores vigentes. Em ambos os propósitos, uma oportunidade de reinvenção de si mesmo.
Em dias de Carnaval, lócus de vivências avatarescas e momentos de extravasão, penso: estariamos diante de uma versão tupiniquim dessa necessidade reinventiva? Sem uma resposta definitiva devido a subjetividade de cada um, não critico o desejo de ser ou viver algo diferente, mas defendo a idéia do filme de que não precisamos nos esconder em um avatar, procurar um mundo paralelo; podemos viver melhor se nos conectarmos com o funcionamento da natureza, usando a ciência para fins de desenvolvimento humano e não exclusivamente econômico.
Afinal, não somos donos do planeta Terra, apenas um dos seres que aqui coabitam. Se entendermos essa afirmação, quem sabe poderíamos valorizar o que realmente é importante em nossa passagem por aqui e amenizar o tal sentimento de vazio visto em Jake e em nós mesmos.

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domingo, 24 de janeiro de 2010

Um pouco de legião...





Música de Trabalho



Composição: Renato Russo

Sem trabalho eu não sou nada

Não tenho dignidade

Não sinto o meu valor

Não tenho identidade

Mas o que eu tenho

É só um emprego

E um salário miserável

Eu tenho o meu ofício

Que me cansa de verdade

Tem gente que não tem nada

E outros que tem mais do que precisam

Tem gente que não quer saber de trabalhar

Mas quando chega o fim do dia

Eu só penso em descansar

E voltar p'rá casa pros teus braços

Quem sabe esquecer um pouco

De todo o meu cansaço

Nossa vida não é boa

E nem podemos reclamar

Sei que existe injustiça

Eu sei o que acontece

Tenho medo da polícia

Eu sei o que acontece

Se você não segue as ordens

Se você não obedece

E não suporta o sofrimento

Está destinado a miséria
Mas isso eu não aceito

Eu sei o que acontece

Mas isso eu não aceito

Eu sei o que acontece

E quando chega o fim do dia

Eu só penso em descansar

E voltar p'rá casa pros teus braços

Quem sabe esquecer um pouco

Do pouco que não temos

Quem sabe esquecer um pouco

De tudo que não sabemos

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

FRASES INFELIZES





O bullying ocupacional é um fenômeno comum em nosso cotidiano. No uso coloquial descreve uma forma de assédio interpretado por alguém que está, de alguma forma, em condições de exercer o seu poder sobre alguém ou sobre um grupo mais fraco.

Pode ocorrer em situações envolvendo a escola ou faculdade/universidade, o local de trabalho, os vizinhos e até mesmo países. Para aqueles fora do relacionamento, parece que o poder do agressor depende somente da percepção da vítima, normalmente intimidada para oferecer alguma resistência. Todavia, a vítima geralmente tem motivos para temer o agressor, devido às ameaças ou concretizações de violência física/sexual, ou perda dos meios de subsistência.

Essa situação é seríssima e merecedora de atenção, principalmente judicial. Contudo a denúncia ainda é baixa com relação aos acontecimentos.
Em situações clínicas, quando conversamos com as vítimas, algumas relatam que em sua infância também sofriam tal retaliação, por parte de um membro da família.

Você seria capaz de recordar as frases que lhe foram ditas na infância e o influenciaram negativamente? Isto é, aquelas frases que fizeram com que você se sentisse mal, quase um zero à esquerda? É possível que alguns de nós recordemos de uma ou outra que fizeram a nossa infelicidade infantil. E se as recordamos, ainda hoje, passada a infância e adolescência, é porque verdadeiramente nos marcaram.

O importante, enquanto pais, é ter cuidado com palavras ditas na formação do individuo, que podem marcá-lo, tanto no desenvolvimento infantil, quanto em sua vida adulta.

Frases do tipo: "como é que você pode ser tão burro!" É uma delas, e de conseqüências desastrosas para o autoconceito da criança. Ela põe em dúvida, de forma muito clara, a sua capacidade. Afinal, o burro está associado ao incapaz, ao que não consegue fazer as coisas direito. Ao duvidar da habilidade do filho, os pais lhe passam a sensação de impotência que pode acompanhá-la para a vida toda. Além do que, se abraçar o conceito, a criança poderá passar a se comportar como tal. Tornar-se, de forma proposital, ainda que inconsciente, o burro que esperam que ela seja.

Sem dúvida, a frase é pronunciada nos momentos mais nevrálgicos do relacionamento entre pais e filhos. Por exemplo, quando a mãe entra na sala e descobre o pequeno pendurado na janela. Ela já lhe falou, pela suas contas, mais de mil vezes, para não subir. Assustada, com medo, ela corre, puxa o pequeno para dentro e lhe larga a frase, acrescentando: "já não lhe falei? Você não consegue aprender?" Melhor do que tal explosão, seria tornar a explicar à criança o perigo que ela corre repetindo aquele gesto.

Se contarmos até dez, dominarmos o nosso medo, com habilidade poderemos tirar a criança do perigo e lhe dizer: "janela não foi feita para subir." Colocamos os limites, sem agredir. Falamos da realidade da janela e dos perigos que ela representa, sem descer à questão da capacidade do pequeno em julgar se ele pode ou não subir ali sem problema.

É interessante considerar que os pais almejam que os filhos progridam, mas ás vezes os colocam obstáculos, criando-lhes situações plenamente dispensáveis.

Afinal, educar é tarefa que requer esforço, paciência, sendo desnecessário o uso de frases infelizes pronunciadas na infância ou na adolescencia, que nada mais são do que uma forma de bullying, isto é, de violência que pode ser repetida em situações de trabalho na vida adulta, seja como vítima ou agressor.

Sugiro cuidado com o que dissermos às pessoas e principalmente respeito!!!

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A POPULARIDADE DE LULA



Amigos,

Após um longo tempo sem postar, devido envolvimento com as tarefas da pós-graduação, pretendo retornar ao meu prazer de escrever sobre o universo do trabalho.
Para abrir "alas",  trago um texto enviado por um amigo, no qual acredito ser oportuno sua postagem, haja visto que o senhor mencionado nas linhas seguintes se diz figura importante em todas as áreas de nosso país.

A todos uma boa leitura















A popularidade de Lula


Popularidade ou estima generalizada precisa ser espontânea. Quando comprada não faz sentido ser chamada popularidade. Milhões de pessoas mantêm o presidente Bufão com índices de pesquisas populares, no alto do trono da liderança entre personagens políticas brasileiras.



De onde vem essa “popularidade”? Da compra da simpatia de miseráveis e analfabetos país adentro país afora. Por trinta dinheiros Judas vendeu Cristo. Por outros trinta dinheiros o presidente Bufão vendeu a possibilidade de fazer algo de realmente pertinente pela educação popular.



Ao contrário de investir em infra-estrutura educacional, em pagamento de professores acima de salários aviltantes, em salas de aula minimamente confortáveis, ao contrário de empossar pessoas capazes de mudar o quadro social dantesco da educação no país, numa gestão de reciclagem de conhecimentos didáticos, o presidente Bufão prefere enganar seus semelhantes não alfabetizados, doando-lhes dinheiro do Estado para assegurar de maneira vil, “como nunca se vil neste país” sua “popularidade”.



Ou seja: comprando com as moedas de Judas o apoio dos miseráveis, dos que não sabem ler nem escrever, dos que não possuem educação primária, pessoas incultas, sem instrução escolar mínima, iletradas. Comprando esse apoio com dinheiro público. Usando a miséria, a necessidade, a carência cultural várias vezes centenária de uma população de pessoas que, semelhantes a elle, Lulla, migraram do nordeste em busca de um lugar ao sol em São Paulo.



O presidente analfabeto ao contrário de fazer por aqueles que, semelhantes a elle, Lulla, precisam de ser alfabetizados e precisam aprender a ter noção do que significa aprender a ler, a escrever e a estabelecer um plano digno de vida, aproveita-se maquiavelicamente, como qualquer sádico da política brasileira estruturada na corrupção desde os tempos do Império, para comprar com os trinta dinheiros de Judas a simpatia popular (“popularidade”).



Seria simples usar 12 bilhões de reais para reestruturar a educação no país. Mas elle, Lulla, o presidente analfabeto, oPTou por mantê-los na ignorância, fazendo de conta que está investindo em educação quando, em verdade, está investindo em sua própria popularidade, como se fosse um Mao Tse Tung à século XXI, ditando normas de como fazer para manter e retroagir a condição de analfabetos de seus semelhantes nordestinos e em todo o país.



A educação permanece em estado falimentar há séculos. Elle, Lulla, está com a oportunidade em mãos de mudar esse quadro de ignorância dantesca que o conduziu à presidência da República e faz dele um líder que na hora de olhar e zelar pela educação popular, ao invés de melhorar as condições de influenciar a cultura escolar e acadêmica, mantém seu olhar fixo no próprio umbigo e oPTa pela “popularidade” ao invés de optar pela dignidade, pelo ensinamento, pelo saber.



Prisioneiro da demagogia, o governo Lulla promove conferências, discursos, inaugurações, palanques “como nunca se vil antes na história deste país”. Quatro milhões de pessoas participaram de sessenta conferências que custaram ao erário público mais de 100 milhões de reais. Seus ministros dizem o que deve ser discutido, segundo as relevâncias do governo e, posteriormente, convocam os Estados para a discussão do sexo dos anjos por moradores de bairros, entidades sindicais e outros interessados em participar do teatro macabro dos gastos do dinheiro público para bancar esses eventos com passagens rodoviárias e aéreas, hospedagens, alimentação, estrutura.



O presidente analfabeto mostra-se extremamente condescendente com todo tipo de corrupto e corrupção. Não há um único político que tenha se envolvido com cambalachos, roubalheiras, tráfico de dinheiro em cuecões, que não tenha merecido dele uma palavra de apoio. Exceto se esse político não estiver fazendo parte da Oposição ao seu desgoverno.



O presidente analfabeto está definitivamente empenhado em mostrar a todos os brasileiros brasileiros, àqueles a quem a cidadania ainda é uma bandeira a defender, que ele vai continuar liderando os que não possuem noção do que seja educação e cidadania, no sentido de mantê-los atrelados ao cabresto de seus tinta dinheiros de Judas Iscariotes, traidor de Cristo.



Seu objetivo é adequar os indivíduos analfabetos dessa sociedade de miseráveis a seus objetivos políticos os mais degenerados. Elle, Lulla, se posiciona como sendo o Führer dos analfabetos, o líder de todos os que, analfabetos ou não, desejam se aproveitar da situação privilegiada de incremento da circulação da riqueza mundial e nacional, para manter-se no poder político, mesmo que escravizando seus semelhantes com sua fixação em “popularidade”.



A quem esse Judas analfabeto quer enganar? A maior quantidade possível de eleitores analfabetos que vendem o apoio de suas simpatias em troca dos trinta dinheiros nefandos da corrupção institucionalizada do programa Bolsa-Família. Ou melhor adjetivando: do programa Bolsa-Bufa.



O Bolsa-Bufa é uma mão na roda para todo tipo de demagogia. Escorado na “popularidade” dos trinta dinheiros lançados em mãos dos analfabetos e miseráveis que se vendem por tão pouco, sem sequer suspeitarem de que estão sendo lesados por um demagogo sem nenhum caráter, o presidente analfabeto se diverte, mostrando a seus antigos adversários políticos como fazer para manter em alta uma popularidade às custas dos trinta dinheiros Lulla, o Judas.



Esse Macunaíma nordestino deita e rola, tirando o máximo proveito possível da ignorância e do estado lamentável de seus conterrâneos e contemporâneos. Explorando-os como elle, Lulla, foi explorado quando sindicalista. Quando torneiro mecânico lutou por melhores condições de vida para a classe de trabalhadores à qual pertencia. Hoje, se posiciona do lado de lá, do explorador. Traindo os ideais mais essenciais daqueles que um dia representou. E agora trai de maneira vil e infame.



“Como nunca se vil antes há história deste país.”



Hoje faz 155 dias de censura ao ESTADO DE SÃO PAULO. Uma inconstitucionalidade como nunca se viu antes na história desse país.


Sereno Hopefaith

Pra quem quiser saber mais sobre a história...


"Lula é Minha Anta", do jornalista Diogo Mainard, um dos mais polêmicos e conhecidos comentaristas da cena política brasileira, reúne uma coletânea de crônicas sobre o escândalo do mensalão publicadas pelo autor na revista Veja, da qual é colunista. Mas não se trata de uma reunião pura e simples dos primorosos textos de Mainard sobre os escândalos de Brasília. No livro, as crônicas são alinhavadas com comentários inéditos sobre os artigos que contam os bastidores do trabalho do colunista.





















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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Vende-se qualidade de vida






Há algum tempo no discurso empresarial se fala em qualidade de vida, nome que deram às condições da vida satisfatória de um ser humano, algo que envolva o bem físico, mental, psicológico e emocional, além de relacionamentos sociais, como família e amigos e também a saúde, educação e outras circunstâncias da vida.
Em termos práticos, o universo ocupacional percebeu que o homem "bem" nessas esferas, produz melhor, foco de suas atividades. Logo, algumas empresas adotaram medidas para favorecer que seus pupilos pratiquem tal filosofia, montando academias, espaço para yoga, pilates, fins de semana em hotéis fazendas praticando esporte radical,confraternizações sociais e a mais nova a espiritual, onde é possível vivenciar um resgate religioso.
As menores organizações não estão imunes, se não podem oferecer na prática o fazem na teoria, disseminando em seu discurso a qualidade de vida como valor organizacional.
Vocês devem estar se perguntando: isso não é bom? De fato, um olhar desatento diria que sim,mas tenho a sensação que o bem-estar do trabalhador se tornou um produto, à venda como se fosse um item da moda ou de um supermercado, passível a ser adquido de um dia para o outro.
Vejo constantemente falas imperativas do tipo: coma isso! não coma aquilo! viaje! vá á academia! Invista na Educação! etc. Ordens e não possibilidades, sem contar o filão de negócios lucrativos.
O interessa é que precisamos ver os dois lados da moeda, se de um lado está a chance de venda, do outro a espera da compra. Lazer, por exemplo, para a maioria é sinônimo de gastos: ir a um bom restaurante, cinema, shopping, viajar e assim por diante. Não nego que as duas primeiras opções não me atrae, que delícia comer bem, juntamente com aquele vinho da safra x e noutro dia apreciar o filme ou a peça y.
O fato é que vejo muitos amigos se queixando da falta de lazer, o quao oneroso se tornou e que em vez de prazer gera desprazer no final do mês, ao verificar o saldo do cartão. E os com poder aquisitivo menor pontuam não ter lazer porque não podem pagar, têm outras prioridades.
Em contrapartida, outro dia quando estava no SESC, instituição que promove eventos culturais à população, como muitas outras no Brasil, pensei: estou em um sabado á tarde assistindo a um show de MPB, com excelente qualidade, me sentindo tão bem por estar ali e sem gastar nenhum centavo! Me virei para a platéia, notando que havia poucas pessoas prestigiando uma grande oportunidade de estar em contato com a arte, com a música ou com a tão falada qualidade de vida.
Indignada comentei a uma colega o que pensara e ela de pronto me respondeu: " ora, não valorizam o gratuito, desmerecem a sua qualidade". E fiquei refletindo na sua fala por dias.
Uma semana depois, fazendo a minha caminhada habitual, em uma área arborizada da cidade e também gratuita, vi que em seu redor havia várias academias e todas estavam abarrotadas de clientes.
Vejam, não prego utopias, tampouco protestos à frequencia de tais estabelecimentos, como disse aprecio-os. O que realmente me incomoda é o discurso de que o "bom é o caro", que "não temos lazer sem dinheiro" ou ainda que no interior não há cultura.
Para os leigos digo: - Há e precisamos participar, prestigiar os artistas que vem de todo o Brasil.
E o fundamental é que não podemos colocar preço na qualidade de vida, tampouco considerar lazer somente aqueles que o capital permite. Afinal lazer é individual (cada um tem um gosto) e possivel a todas as pessoas. Caminhar,ler um livro, conversar com amigos, familia ou filhos, escutar música, ir ao SESC todos os sabados ás 16 hs assistir uma apresentação,visitar um parente, dançar no quintal de casa, contar ou ouvir piada ou histórias etc.etc não tem preço e certamente nos dará uma sensação de bem-estar incrivel.
É preciso resgatar formas de existir que nos faça bem, sem entrar em modismos que ditam o que e como devemos viver. Tirar da vida formas que junto aos nossos pares possamos ter momentos prazerosos ou simplesmente descanso ou ócio.
Não somos máquinas em prol do dinheiro, somos seres com vontade de viver bem.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Visão seletiva: Borboleta-lagarta ou lagarta-borboleta?





Hoje gostaria de chamar a atenção para o processo da lagarta - o de entrar em um casulo escuro, sem alimentos, sozinha,para depois transformar-se em uma bela borboleta, cheia de cores.
Poderíamos pensar em diversas coisas da nossa vida que se remeteriam a essa vivência, como por exemplo: formação profissional, conquistas pessoais, relacionamentos, etc...No entanto, pensei no olhar que fazemos sobre o que vemos em nosso cotidiano.
Sabe-se que temos visão seletiva, dependendo da situação, momento, estímulo e que pode-se mudar de percepção considerando essas variáveis.
Pois bem, vejam um exemplo que ocorreu comigo.Moradora no interior de são Paulo, mais precisamente 587 Km da Capital, residente próximo da Rodoviária da cidade, passo frequentemente por essa, a fim de ir ao trabalho.
Especificamente sobre a Rodoviaria, minhas impressões eram de um lugar simples, razoavelmente cuidado, pequeno e pacato; até o dia em que passei a frequentá-la mais assiduamente, já que tinha receio de dirigir até Campinas, local onde fazia uma disciplina do mestrado.
Observando melhor, pude notar além da arquitetura, que não era simples e pequena somente e sim descuidada, perigosa para transitar. Lugar inóspito, sem segurança nenhuma, onde mendigos transitam, abordam os viajantes e tiram suas sonecas, sem contar prostitutas, vendendores e usuários de drogas.
Um descaso!! Pois trata-se de uma cidade com aproximadamente 206 mil habitantes, eixo que liga os Estados do Mato Grosso do Sul com Paraná.
Certa vez cheguei de viagem de madrugada, exausta(após 9 hs dentro do ônibus extremamente polar, devido ar condicionado) aguardava meu marido para descansar e ter mais um dia de trabalho. Estava em umas portas de saída, quando observo olhares de um rapaz estranho. Ele cuidava meticulosamente dos meus movimentos. Um carro aproximou e achei que era para mim, não era, e quando voltava o rapaz veio em minha direção, só desviando porque ouviu barulho do moço da limpeza, que percebeu o que se passaria ali. Ufa, que medo!!
Pensei, puxa, as pessoas não sabem como é esse lugar, o quao intimidador e passível de violência.
Eu, dentro do meu casulo não via nada, que tipo de borboleta serei?
O meu olhar era como o de muitas pessoas, só alcançava o trivial, confortável dentro do meu carro, que incomodou-se quando fui fazer o vôo da borboleta e não encontrei as flores coloridas.
Vivemos chocados com noticiários da TV, reclamamos do governo e não notamos o nosso lado, tampouco cobramos mudanças.
Selecionamos nossa visão, nos transformamos em borboletas com pensamento de lagarta, que apesar das asas e possibilidades, preferimos o aconchegante casulo. Só não sei até quando!Só não sei nem pra onde ou por que! Apenas convido-os para um novo olhar. A sermos uma lagarta-borboleta.

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Valores Organizacionais em Processo de Privatização: Uma breve análise do Banco Alfa

REVISTA MULTIDISCIPLINAR DA UNIESP
SABER ACADÊMICO - n º 07 - Jun. 2009/ ISSN 1980-5950

DIAS, Renata Cristina Sobral

Resumo: Este artigo visa apresentar e refletir, de modo sintético,
o impacto da privatização em uma instituição financeira, destacando
a cultura organizacional, no que tange mudanças de valores e respectivas ações.
Para a coleta de dados utilizamos documentos eletrônicos sobre a filosofia de trabalho
e questionário a 25 colaboradores, que, vivenciaram o processo anterior e posterior à iniciativa privada. Utilizamos para analisar os dados a análise de conteúdo. Os resultados demonstraram mudanças de valores e de comportamentos, através de duas vertentes:
1) busca de atualização e qualificação profissional; 2) não adaptação à nova realidade. Assim, ressalta-se a importância de uma escuta especializada aos protagonistas (trabalhadores) como
medida à sua saúde psíquica.

Palavras-chave: Privatização – valores organizacionais – instituição financeira.

Abstract: This article aims to present and think of speaking, the impact of
privatization in a financial institution, highlighting the organizational culture,
changes in terms of values and their actions. For data collection using electronic
documents on the philosophy of work and questionnaire to 25 employees,
who experienced the process before and after the private iniciative. Used to analyze
the data the analysis of content. The results demonstrated changes in values and
behavior, in two parts: 1) search for and update professional skills,
2) do not adapt to the new reality. So, it emphasizes the importance of listening to
expert players (workers) as a measure of their psychological health.

Key-words: Privatization – organizational values – financial institution.

CONTEXTUALIZANDO O PROCESSO DE PRIVATIZAÇÃO E O SETOR
BANCÁRIO

O Consenso de Washington, conjunto de medidas composto de dez regras
básicas, formulado em 1989 por economistas de instituições financeiras baseadas em
Washington, como o FMI, o Banco Mundial e o Departamento do Tesouro dos Estados
Unidos, fundamentadas num texto do economista John Williamson, do International
Institute for Economy, se tornou a política oficial do Fundo Monetário Internacional em
1990 e passou a ser "receitado" para promover o "ajustamento macroeconômico" dos
países em desenvolvimento que passavam por dificuldades (BASTOS et. al, 2006).
Disciplina fiscal, redução dos gastos públicos, reforma tributária, juros de
mercado, câmbio de mercado, abertura comercial, investimento estrangeiro direto com
eliminação de restrições, privatização das estatais, desregulamentação (afrouxamento
das leis econômicas e trabalhistas) e direito à propriedade intelectual, compõem a lista
de recomendações (10 regras) considerada responsável pela liberalização e abertura para
os fluxos de capitais internacionais no Brasil (PEREIRA, 2006).
Para os crédulos uma salvação, já para os críticos, um esforço ideológico
destinado a impor o neoliberalismo, e o fundamentalismo de livre mercado, aos países
emergentes (RODRICK, 2006).
No mesmo caminho, a aprovação da Emenda Constitucional da "Reforma
Administrativa" (EC nº 19, de 4/6/1998) disseminou a necessidade de implementar a
"Nova Administração Pública”, também chamada de Administração Gerencial, visando
modernizar o modelo jurídico-administrativo brasileiro, construído originalmente pela
Constituição Federal de 1988, responsável pela organização e funcionamento do setor
público (PESSOA, 2000).
Segundo Pessoa (2000), o movimento da Nova Administração Pública
apresentou-se como um sistema de pensamento ideológico que pretendia transpor idéias
geradas no setor privado para dentro da Administração Pública. Embasada numa
racionalidade econômica e de mercado, desenvolvida sobremaneira nos grandes centros
do capitalismo, o discurso da "crise do Estado", que permeou o debate político e
acadêmico nos anos 90, voltou-se para as organizações públicas, propondo uma
reestruturação do setor público com base em conceitos, paradigmas, valores e idéias
tradicionalmente aplicados ao mercado.
Para o autor, o “economicismo” de cunho neoliberal, pensamento imperante da
"globalização", pretendia mudanças no setor público, almejando maior desenvolvimento
econômico, através de sua modernização, resgate de atraso histórico e maior eficiência.
Para tanto, surge uma nova onda de orientações, afetando o discurso do setor
público, tais como:
(...) adoção de um programa de privatização em larga escala;
terceirização de diversos serviços públicos importantes; adoção de
valores gerenciais e de mercado na Administração Pública direta,
fundacional e autárquica; mentalidade voltada para o mercado e
orientação para o cliente; redução progressiva dos gastos sociais;
crescente ênfase no "fazer mais com menos", com os ganhos em
eficiência; administração hierarquizada; ênfase na mudança pelas
"cúpulas", e não pelas "bases", relegadas ao descaso; separação entre
um pequeno núcleo estratégico e uma grande periferia operacional;
ênfase no papel do gerente (daí a expressão "Administração
Gerencial"), do técnico, com aumento da tecnocracia e do "déficit
democrático" das novas instituições (agências executivas e agências
reguladoras); adoção em larga escala do regime celetista em
substituição ao estatutário, com possibilidade de dispensa nos moldes
privados; quebra da estabilidade; freqüentes cortes orçamentários e
aviltamento da situação dos servidores públicos; ênfase nos
"resultados", nas "metas", e menosprezo aos "procedimentos", com a
conseqüente "flexibilização" (entenda-se descaso) do princípio da
legalidade em matérias vitais, tais como licitações, contratações de
bens e serviços, nomeação/contratação/dispensa de servidores
públicos (PESSOA, 2000, p.02-3).
Diante deste contexto, a adoção de um programa de privatização em diversos
setores ocorreu, inclusive, nas instituições financeiras, foco deste estudo. Entendendo
por privatização a transferência de serviços ou da atividade de produção anteriormente
exercida pelo setor público para as empresas privadas ou outras formas de organizações
não públicas (BOEKER, 1995).
Laranjeira (2001) concorda e considera que as mudanças ocorridas no sistema
bancário brasileiro, nas duas últimas décadas, ainda que associadas às mudanças em
nível mundial, expressas pela globalização e pela “financeirização” do sistema
econômico, podem ser consideradas no contexto particular do país, em que se destacam:
o processo inflacionário que dominou a economia brasileira desde final dos anos 70 até
recentemente; a desregulamentação do mercado, instituída pela Constituição de 1988; a
introdução do Plano Real, em 1994, cujo principal objetivo é o reordenamento da
economia através, sobretudo, do controle da inflação.
Em termos organizacionais, os bancos moveram-se em direção ao que alguns
denominam High Performance Organizations, com alterações significativas em suas
estruturas, manifestas através de concessão de maior poder decisório aos empregados;
queda da hierarquia, estímulo a relações de cooperação entre empregados e gerentes;
trabalho em equipe; ênfase na qualidade; estímulo à criatividade (PASTORE, 1995, p.
24).
O trabalho bancário, hoje, com ênfase na área negocial e premido pelas
pressões geradas pela crescente competição, exige um profissional com mais
conhecimento de mercado, de produtos financeiros, de recursos de informática, de
estratégias de venda, iniciativa em termos de desempenho, o que se traduz em maior
qualificação (LARANJEIRA, 2001).
A autora esclarece que o perfil do novo bancário é traçado a partir da ênfase na
capacidade de lidar com tarefas não prescritas e com limites pouco definidos,
contrariando a exigência anterior, quando as atividades eram claramente delimitadas
pelo manual.
Além disso, o cliente passa a ser o foco nessa nova onda de competitividade,
uma vez que, os produtos e serviços bancários são similares. A reestruturação que
também se estendeu à gestão de pessoas, nos bancos privatizados, forjaram mudança de
cultura de funcionários estatutários para funcionários privados, com admissões externas
e internas realizadas mediante análise curricular, entrevista e dinâmicas, treinamentos
contínuos, programa de qualidade. Muitos colaboradores foram selecionados, para
assumir novos cargos e desafios. Entretanto, muitos preferiram aderir ao plano de
demissão voluntária (PDV), não obstante ocorreram várias demissões sem justa causa
(LARANJEIRA, 1997).
Conseqüentemente, a privatização resultou em mudança cultural, pois são
empresas distintas que se unem, tornando-se singular, sendo que cada uma delas possui
sua própria personalidade, ou seja, tem seu próprio jeito de ser.
FLEURY e FISCHER (1996) acrescentam que a cultura organizacional
exprime a identidade da organização. É construída ao longo do tempo e serve de chave,
para distinguir diferentes coletividades. Aliás, as culturas organizacionais gritam, de tão
diversas que são, quando ocorrem privatizações, fusões ou incorporações de empresas,
devido à multiplicidade das maneiras de serem. Um choque cultural acontece e
desorientam os agentes, podendo explodir intensas resistências, explicitando os padrões
culturais que os anos cristalizaram.
A mudança no contexto organizacional engloba alterações fundamentais no
comportamento humano, nos padrões de trabalho e nos valores em resposta a
modificações ou alterações estratégicas, de recursos ou de tecnologia, enfim, em sua
cultura organizacional.
Cultura organizacional, de modo geral, é o conjunto de hábitos e crenças
estabelecidos através de normas, valores, atitudes e expectativas compartilhadas por
todos os membros da organização. Em outras palavras, representa as normas informais e
não escritas que orientam o comportamento e ações dos membros da organização no
cotidiano (TAMAYO, 2005).
Os valores, foco deste estudo, constituem um dos importantes instrumentos
para entender a cultura organizacional, sustentáculo do processo de socializações por
meio do sistema de valores, sendo vivenciados como uma experiência subjetiva
compartilhada, que cria nas organizações a possibilidade de simbolização e mediação
das necessidades individuais e organizacionais (MENDES; TAMAYO, 2001).
Assim sendo, os valores têm um papel tanto de atender aos objetivos
organizacionais, quanto de atender às necessidades dos indivíduos, podem passar
mensagens e comportamentos convenientes, levando à naturalização do conteúdo e ao
repasse espontâneo para os demais membros, fazendo com que a adesão e a reprodução
permitam a liberdade dos indivíduos em aceitar ou não determinados conteúdos ou a
eficiência do controle dessa liberdade.
Para fundamentar esses pressupostos, adota-se o modelo dos valores
organizacionais, proposto por Tamayo (1996) que preconiza que os valores não estão
definidos a priori e podem ser classificados numa hierarquia, não são fixos, variam de
uma organização para outra e até dentro da própria organização. Eles servem à própria
sobrevivência da organização e, por essa razão, buscam mediar conflitos para resolver
problemas.
Segundo Tamayo (1996), os valores têm por objetivo resolver três problemas: a
conciliação de interesses individuais e do grupo; a necessidade de uma estrutura que
contemple a definição de papéis, normas e regras para relações e organização do
trabalho; e a conciliação entre interesses da organização e do meio social e natural, que
se caracteriza pela necessidade de produtividade e sobrevivência da organização que
retira do meio a matéria-prima e realiza as trocas comerciais.
Mediante a importância dos valores organizacionais, principalmente na
mediação indíviduo-instituição de trabalho, pensou-se em verificar o que ocorre com os
mesmos em situação de privatização, uma vez que esta é caracterizada por mudanças.
Deste modo, o presente artigo procurou identificar os valores vigentes na
instituição no período anterior e posterior ao processo de privatização; verificar se os
valores formalizados na instituição financeira, pós-processo de privatização, são
vigentes; discutir se os valores vigentes no período pré e pós processo de privatização
são divergentes; Em havendo divergências, discutir os principais efeitos nas ações
organizacionais.
Importante lembrar que,
Quando a empresa muda e busca atuar, agressivamente, no mercado, busca o lucro por meio da modernização, a cultura tradicional reage e emperra a mudança, tornando-a mais lenta, mais digerível [...]
Paralelamente, os funcionários vêem na mudança um ataque à solidez
da organização, uma ameaça de perda da última função remanescente,
a de agente do desenvolvimento, econômico e social do país
(CURVELLO, 1993, p. 125).
Segundo o autor, as mudanças são mediadas e avaliadas à luz da cultura
tradicional, como tendo, necessariamente, de conciliar a manutenção da identidade com
a necessidade de se modernizar. Há uma tendência muito forte de os funcionários se
refugiarem na racionalização dos valores tradicionais e negarem a mudança, que,
mesmo considerada necessária, não é percebida nem aceita por todos, o que gera o
conflito na transição cultural.
No caso do setor bancário, e em específico o banco estudado, percebeu-se certa
divisão de valores organizações. Ao mesmo tempo em que uma parcela de funcionários
vislumbrou um novo banco, passou a assumir nova postura diante da empresa e dos
clientes; Outro segmento expressivo dos funcionários tendeu a tornar-se renunciador,
identificando-se com a face negativa do modelo corporativo/burocrático, onde muitos
desistiram, se encostaram ou se aposentaram.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Amostra

A pesquisa foi realizada em uma instituição bancária brasileira, que sofreu o
processo de privatização, denominada neste projeto como Banco Alfa, pseudônimo, a
fim de preservar-se o sigilo e a ética.
Os sujeitos da pesquisa foram 25 colaboradores da respectiva instituição, que
impreterivelmente, vivenciaram o processo anterior e posterior à privatização do banco.
A escolha foi aleatória, já que não foi possível acesso ao setor de Recursos Humanos,
devido sua política de gestão e, por conseguinte não se obteve o número total de
funcionários que vivenciaram o processo descrito. Trata-se de um público específico e,
portanto, não será evidenciado o percentual utilizado na coleta de dados.
Instrumentos
A coleta de dados foi realizada de questionário desenvolvido pelas autoras,
partindo dos valores formalizados no Banco Alfa, divulgados via intranet aos
colaboradores e complementados com alguns dos valores organizacionais preconizados
por GONDIM E TAMAYO (1996).
O questionário foi composto de dezesseis perguntas fechadas, referentes aos
valores anteriores e posteriores ao processo de privatização, dados de identificação
(sexo, idade, nível educacional, tempo de casa e situação profissional do entrevistado) e
uma pergunta aberta, abordando a visão do respondente à seguinte questão: qual a
diferença encontrada no período antes e depois da privatização?
As nove primeiras perguntas fechadas do questionário contemplaram os
seguintes valores da atual gestão do banco: foco no cliente, compromisso, equipe,
eficiência, qualidade, qualidade de vida (stress elevado), transparência, solidez,
comprometimento com a comunidade.
As demais (lêem-se sete) consideraram segundo Gondin & Tamayo (1996), os
principais valores percebidos pelos funcionários: orgulho, comprometimento, condição
de trabalho, remuneração satisfatória, inovação tecnológica relacionada ao atendimento
ao cliente, inovação tecnológica relacionada ao funcionário e capacitação profissional.
Os dados coletados por meio da pesquisa de campo foram analisados
quantitativamente, com uso do Excel e categorização, através da análise de conteúdo.

Resultados

Para atingir o objetivo proposto nesse artigo, quantificaram-se e tematizaramse,
em valores, os percentuais das respostas referentes às perguntas fechadas e da
pergunta aberta sobre qual a diferença encontrada no período anterior e posterior ao
processo de privatização e constatou-se que as respostas da pergunta aberta se referiam
ao período pós-privatização, justificando as respostas das perguntas fechadas.
Diante do instrumento utilizado, percebeu-se que alguns valores foram
formalizados pós-processo de privatização, em documento institucional, via intranet, no
qual se constatou que alguns dos valores formalizados são vigentes; outros valores
formalizados não são vigentes; e, ainda, valores vigentes, e não formalizados. Já,
referente aos valores anteriores ao processo de privatização, não foi formalizado pela
instituição financeira.
Os valores anteriores ao processo de privatização, não constam em nenhum
registro, entretanto tais valores foram identificados, através dos dados coletados na
pesquisa de campo pelo questionário, sendo eles: foco no cliente, compromisso com o
cliente, funcionário e acionista, equipe, transparência, solidez do banco,
comprometimento com a comunidade, orgulho, status, comprometimento com o banco,
satisfação com a remuneração, inovação tecnológica (exercício do colaborador),
capacitação profissional (oferecida pelo banco) e comodidade.
Identificou-se, por meio das perguntas fechadas e da pergunta aberta, que os
valores vigentes, pós-processo de privatização, são: foco no cliente, compromisso com o
cliente, funcionário e acionista, eficiência, qualidade (produtos e serviços),
transparência, solidez do banco, competitividade, individualismo, descomprometimento,
boa condição de trabalho, insatisfação com a remuneração, inovação tecnológica
(atendimento ao cliente e exercício do colaborador), capacitação profissional e
flexibilidade.
Os valores formalizados pela instituição financeira, pós-processo de
privatização, são: foco no cliente, compromisso, equipe, eficiência, qualidade,
transparência, solidez, inovação e comprometimento com a comunidade. Entretanto,
verifica-se que os valores formalizados, equipe e comprometimento com a comunidade,
não são valores vigentes pós-processo de privatização.
Todos os valores vigentes no período pré e pós processo de privatização são
divergentes, exceto foco no cliente, compromisso (cliente, funcionário e acionista),
transparência e solidez do banco.
Os valores divergentes do período pré e pós processo de privatização, segundo
os dados coletados no questionário, dificultaram o processo de privatização, pois devido
às mudanças, ocasionaram resistências e adequações da cultura anterior com a cultura
proposta pela nova gestão, gerando efeitos nas ações organizacionais, por conta do
choque cultural, tais como: stress elevado, perda do sentimento de equipe, desmotivação
e greve como repulsa ao novo sistema.
Apesar dos valores divergentes dificultarem o processo de privatização, houve
também valores que contribuíram com tal processo, sendo eles: foco no cliente,
compromisso, transparência e solidez, pois tais valores foram os únicos que se
mantiveram no período antes e depois do processo de privatização, significando que
transmitiam familiaridade, confiança e segurança a todos os envolvidos.
Diante do exposto nesta análise dos dados, evidencia-se que os valores
anteriores ao processo de privatização resultavam de pensamentos, sentimentos e
crenças, que foram perdidos com a privatização, posto que, antes, os colaboradores não
sofriam pressão, para atingir metas; tampouco sentiam instabilidade ou medo de perder
o emprego. Acreditavam que possuíam remuneração satisfatória e mão-de-obra
qualificada, uma vez que o fato de serem concursados era sentido como status-orgulho,
justificando a acomodação em busca de qualificação profissional, acarretando impacto
na cultura organizacional, frente ao processo de privatização.
Percebe-se que nas instituições existem valores que são aceitos, endossados,
tornando-se parte da cultura da empresa, passando a ser cristalizados e percebidos nos
comportamentos e atitudes dos colaboradores.
Assim sendo, havia uma imagem formada da instituição financeira de
segurança, estabilidade, assistência, salário, beneficio, status etc, que foi quebrada com
a situação da mudança. Afinal, a mudança por sua vez, gera nos colaboradores uma
tendência de se refugiarem na racionalização dos valores tradicionais, medo, paralisação
e negação a adesão das mudanças como previsto por CURVELLO (1993).
Com o processo de privatização ocorreu uma perda de identidade, ora antes
havia maneiras de pensar e agir, advindas da segurança e orgulho na forma que
realizavam seu trabalho, após a privatização tais pensamentos e atitudes foram
invalidados e novos foram incorporados, materializando uma crise, percebida como
rejeição, conflitos, greves, manifestações e afins. É como disse FLEURY E FISCHER
(1996) os agentes organizacionais reagirão para evitar as transformações que tendem a
romper com os valores que lhes transmitiam sentimentos de segurança e coesão.
Toda mudança precisa ser vivida, experimentada e dirigida lentamente para
passar a uma nova ordem das coisas.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Com a crise econômica crescente pós segunda guerra mundial houve
necessidade de mudanças no contexto financeiro mundial, acelerando a necessidade da
globalização, como preconizado pelo Consenso de Washington na década de 90. Na
tentativa de recriar este cenário, veio outras transformações, incluindo o setor público
bancário, promulgando a Nova Administração Pública.
A instituição financeira privatizada buscou crescimento e adaptação ao
mercado, com captação de pessoal no mercado de trabalho, não mais por meio de
concursos públicos, onde o trabalhador que possuía estabilidade no emprego, segurança
e benefícios preservados pelo Estado se deparou com uma enorme competitividade,
devido ao fato da maioria das empresas privadas priorizarem a diminuição de custos,
perda da estabilidade, alto investimento em tecnologia, reestruturação de pessoal e
novos objetivos.
Com a mudança do perfil da instituição financeira, por meio do processo de
privatização, vislumbrou-se choque cultural entre valores anteriores e posteriores ao
processo, uma vez que as organizações são sistemas complexos de relações humanas,
dotadas de culturas, assim como os grupos humanos naturais (tribos, comunidades,
nações).
O conhecimento de uma instituição financeira permite entender que a cultura é
repleta de significados e características distintas, construída a partir de respostas
adaptativas aos problemas enfrentados no decurso de sua existência. As soluções bem
sucedidas com o choque se incorporaram como “a forma correta de se fazerem as
coisas” e passaram a servir como modelo de comportamento coletivo e aprendizado
grupal, criando uma identidade corporativa, que distingue uma empresa da outra.
Conhecer a cultura de uma instituição financeira é importante para a
compreensão da dimensão dos valores organizacionais, porquanto estes orientam a
forma de as pessoas agirem, sentirem e pensarem, sendo que nem sempre são
transparentes, mas dirigem e determinam o comportamento das pessoas.
Com a privatização do banco Alfa, permitiu-se refletir sobre a mudança de
alguns valores e seus efeitos na cultura e ações da instituição, que geraram uma crise,
com o surgimento da nova gestão empresarial, com proposta e imposição de novos
objetivos e, conseqüentemente, o surgimento de novos valores pertinentes à nova
gestão.
As pessoas envolvidas no processo de privatização passaram a questionar as
culturas (pré e pós processo de privatização) e pessoas distintas, onde, com o convívio,
se percebeu maior competitividade e adequação dos valores. Um dos principais efeitos
do questionamento é que os modelos anteriores passaram, também, a ser questionados,
gerando uma sensação de inconsistência, descontinuidade e, às vezes, de perda
emocional.
Segundo dados coletados no questionário identificou-se que a maioria cursou
ensino superior e tinha uma média de 25 anos de atuação, o que demonstrou um
público instruído e experiente, com valores enraizados em uma cultura definida, o que,
dificultaria qualquer proposta de mudança, porquanto os valores organizacionais
estavam instituídos e cristalizados.
O caráter público da instituição financeira Alfa pode ter contribuído para a
conquista da credibilidade, compromisso e solidez do banco, uma vez que, ao fazer
parte do quadro de funcionários, havia uma garantia de emprego, salário acima do
mercado e benefícios diferenciados, onde a contratação era via concurso público e os
aprovados eram vistos como profissionais qualificados e bem remunerados pela
capacidade de inserção na instituição, gerando sentimento de status (“Faço parte”) e
orgulho (“Eu consegui”).
Conforme análise dos dados e considerações finais, os colaboradores sentiam
certo comodismo na cultura anterior, devido a não investirem mais em qualificação
profissional, principio da nova administração e satisfação do cliente, não acompanhando
o mercado.
Os valores que contribuíram com o processo de privatização foram foco no
cliente, compromisso, transparência e solidez, posto que tais valores foram os únicos
que se mantiveram no período antes e depois do processo de privatização, significando
que transmitiam familiaridade, confiança e segurança a todos os envolvidos, afinal se
mantiveram vigentes tanto no período pré como no período pós processo de
privatização.
A maioria dos valores vigentes no período pré e pós processo de privatização é
divergente; exceto, foco no cliente, compromisso (cliente, funcionário e acionista),
transparência e solidez do banco.
Os valores divergentes do período pré e pós dificultaram o processo de
privatização, julgam ter contribuído com o a ocorrência do choque cultural da
organização e insatisfação, devido às mudanças, gerando, segundo os dados coletados,
instabilidade no emprego, perda do sentimento de equipe, stress elevado e greve como
repulsa ao novo sistema.
Vislumbra-se que as mudanças ocorridas com a privatização do banco Alfa ocasionaram impacto e mudanças de valores na cultura organizacional, culminando em insatisfação na maioria dos colaboradores que vivenciaram os dois períodos do processo.
Manifestações e reclamações pela pressão no cumprimento de metas,
mudança na política salarial, aumento do volume de serviço por pessoa, demissão em
massa e sentimentos de desvalorização por acreditarem que os novos colaboradores
eram menos preparados e, por isso, caracterizavam um choque cultural.
Outro fator apontado, como entrave na assimilação da nova cultura e
contributivo para o choque cultural, foi a pressão por resultados, isto é, cumprimento
de metas, em que resultou em estresse elevado e perda da qualidade de vida.
As principais mudanças, de valores entre os períodos pré e pós processo de
privatização, podem ser vistas pelos colaboradores como negativas e positivas. Pressão
em metas, instabilidade, salário de mercado, aumento do volume de serviço foram
destacados como negativos.
Já o investimento em tecnologia, condições de trabalho, busca de maior
qualificação profissional, incentivo ao desempenho, tecnologia de ponta e tomada de
decisão mais rápida foram apontados como mudanças positivas do processo de
privatização do banco Alfa.
Entre as mudanças negativas e positivas apontadas nos dados da pergunta
aberta do questionário, analisando a mudança de valores, alguns efeitos na cultura da
instituição podem ser apontados, tais como: estresse elevado; sensação de perca da
identidade; medo de perder o emprego e greve como repulsa ao novo sistema.
Ressalta-se, ainda, que os valores foco no cliente, compromisso, transparência
e solidez se mantiveram no período pré e pós processo de privatização e deram sua
contribuição, para transmitir familiaridade, confiança e segurança a todos os
envolvidos.
Vê-se, que além das mudanças de valores houve a de comportamentos,
principalmente no que tange à busca de qualificação profissional, desenvolvimento de
novas habilidades, competências e conscientização sobre tendências no atual mercado
de trabalho. Outra mudança verificada foi a não adaptação à nova realidade, havendo
perda de identidade e insatisfação, reforçando o choque cultural.
Fundamental salientar-se que a falta de respaldo psíquico para o impacto do
choque cultural, algumas pessoas sentiram perda de identidade, porquanto tudo o que
elas construíram e em que acreditaram na sua percepção, deixou de existir,
intensificando o abalo emocional.
Se os valores de outrora não mais reconhecidos e não se consegue adaptação
ao novo contexto empresarial, a organização tende a fragmentar-se e a esfacelar-se.
Por isso, o conhecimento prévio da cultura existente e da cultura a ser imposta, antes
de qualquer mudança, pode ser profilático a qualquer Instituição.
Percebe-se, pelo atual desenvolvimento da área gestão com pessoas, que é
possível enfrentar-se o processo com menores rupturas drásticas e radicais, tornando os
efeitos o menos nocivos possível à empresa, ressaltando a importância do profissional
capacitado a oferecer escuta especializada aos envolvidos, buscando compreensão dos
valores vigentes da instituição, sua história e a cultura organizacional.
Cabe aos profissionais de Recursos Humanos considerarem os pensamentos,
sentimentos e ações das pessoas, levando em conta a importância de se conhecer a
cultura vigente na instituição, bem como os valores das pessoas. Intermediando a
transição cultural, fornecendo uma visão transparente da missão da empresa, dos novos
objetivos, onde todo esse processo deverá ser elaborado em conjunto, buscando a
colaboração, o envolvimento de todos os envolvidos no processo de mudança cultural,
assim como o novo norte da empresa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BASTOS, Pedro Paulo Zahluth; BIANCARELI, André Martins; DEOS, Simone Silva de. Controle de capitais e reformas liberais: uma comparação internacional. In.: Economia e Sociedade, Campinas, v. 15, n. 3 (28), p. 545-576, dez. 2006.
BNDES. Privatização no Brasil. Disponível em: <>. Acesso
em: 10 maio 2005.
BOEKER, P.H. (org). Transformações na América Latina: privatização, investimento
externo e crescimento. Rio de Janeiro: Editora Jorge Zahar, 1995.
BRAGA, E.C.; EGLER, I.H.; SOUZA, R.J. Cultura organizacional do Banco
Central: Uma visão parcial. Monografia (Especialização em Administração) –
BACEN. Brasília: UnB, 1993.
CURVELLO, J.J.A. Comunicação Interna e Cultura Organizacional: um enfoque
qualitativo da questão no Banco do Brasil. Dissertação (Mestrado) – Instituto
Metodista de Ensino Superior. São Paulo: Instituto Metodista, 1993.
GONDIM, M.G.C.; TAMAYO, Á. Escala de Valores Organizacionais. In.: Revista de
Administração, São Paulo, v.31, n.2, p.62-72, abr/jun. 1996.
LARANJEIRA, S.M.G. Reestruturação produtiva no setor bancário: A realidade dos
anos 90. In.: Educação & Sociedade, Campinas, v.18, n.61, p.110-139, dez. 1997.
Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2005.
PEREIRA, Raimundo Rodrigues. A República Enviesada. In.: Revista CartaCapital,
n. 425, p. 47, 27 dez. 2006.
ROCHA, M.C. Privatização no sistema bancário e o caso Banespa. Belo Horizonte:
C/ Arte, 2003.
RODRIK, Dani. Goodbye Washington Consensus, Hello Washington Confusion?
Harvard University, January 2006.
SEGNINI, L.R.P. Sobre a identidade do poder nas relações de trabalho. In: FLEURY,
M. T. L. Cultura e poder nas organizações. São Paulo: Atlas, 1989.
TAMAYO, Á.; MENDES, A.N.; PAZ, M.G.T. Inventário de Valores
Organizacionais: Estudos de Psicologia. Petrópolis: Vozes, 2000.
TAMAYO, Á.; PORTO, J.B. Valores e comportamentos nas organizações.
Petrópolis: Vozes, 2005.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

ASSÉDIO MORAL

Um dos assuntos merecedores de nossa atenção é aquele comportamento vexatório de chefe-funcionário ou funcionário-funcionário, onde alguém sente-se humilhado, discriminado, desvalorizado, ignorado, enfim,de alguma maneira injustiçado em seu ambiente de trabalho.
Estou falando de algo que sempre existiu e que agora é tratado com outra roupagem, o chamado: assédio moral.

O que é assédio moral?

Assédio moral ou violência moral no trabalho não é um fenômeno novo. Pode-se dizer que ele é tão antigo quanto o trabalho.
A novidade reside na intensificação, gravidade, amplitude e banalização do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo-causal com a organização do trabalho e tratá-lo como não inerente ao trabalho. A reflexão e o debate sobre o tema são recentes no Brasil, tendo ganhado força após a divulgação da pesquisa brasileira realizada por Dra. Margarida Barreto. Tema da sua dissertação de Mestrado em Psicologia Social, foi defendida em 22 de maio de 2000 na PUC/ SP, sob o título "Uma jornada de humilhações".
A primeira matéria sobre a pesquisa brasileira saiu na Folha de São Paulo, no dia 25 de novembro de 2000, na coluna de Mônica Bérgamo. Desde então o tema tem tido presença constante nos jornais, revistas, rádio e televisão, em todo país. O assunto vem sendo discutido amplamente pela sociedade, em particular no movimento sindical e no âmbito do legislativo.
Em agosto do mesmo ano, foi publicado no Brasil o livro de Marie France Hirigoyen "Harcèlement Moral: la violence perverse au quotidien". O livro foi traduzido pela Editora Bertrand Brasil, com o título Assédio moral: a violência perversa no cotidiano.
Atualmente existem mais de 80 projetos de lei em diferentes municípios do país. Vários projetos já foram aprovados e, entre eles, destacamos: São Paulo, Natal, Guarulhos, Iracemápolis, Bauru, Jaboticabal, Cascavel, Sidrolândia, Reserva do Iguaçu, Guararema, Campinas, entre outros. No âmbito estadual, o Rio de Janeiro, que, desde maio de 2002, condena esta prática. Existem projetos em tramitação nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Bahia, entre outros. No âmbito federal, há propostas de alteração do Código Penal e outros projetos de lei.
O que é humilhação?
Conceito: É um sentimento de ser ofendido/a, menosprezado/a, rebaixado/a, inferiorizado/a, submetido/a, vexado/a, constrangido/a e ultrajado/a pelo outro/a. É sentir-se um ninguém, sem valor, inútil. Magoado/a, revoltado/a, perturbado/a, mortificado/a, traído/a, envergonhado/a, indignado/a e com raiva. A humilhação causa dor, tristeza e sofrimento.




E o que é assédio moral no trabalho?

É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego.
Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares. Estes, por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados associado ao estímulo constante à competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e, freqüentemente, reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando o ’pacto da tolerância e do silêncio’ no coletivo, enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando, ’perdendo’ sua auto-estima.
Em resumo: um ato isolado de humilhação não é assédio moral. Este, pressupõe:
repetição sistemática
intencionalidade (forçar o outro a abrir mão do emprego)
direcionalidade (uma pessoa do grupo é escolhida como bode expiatório)
temporalidade (durante a jornada, por dias e meses)
degradação deliberada das condições de trabalho
Entretanto, quer seja um ato ou a repetição deste ato, devemos combater firmemente por constituir uma violência psicológica, causando danos à saúde física e mental, não somente daquele que é excluído, mas de todo o coletivo que testemunha esses atos.
O desabrochar do individualismo reafirma o perfil do ’novo’ trabalhador: ’autônomo, flexível’, capaz, competitivo, criativo, agressivo, qualificado e empregável. Estas habilidades o qualificam para a demanda do mercado que procura a excelência e saúde perfeita. Estar ’apto’ significa responsabilizar os trabalhadores pela formação/qualificação e culpabilizá-los pelo desemprego, aumento da pobreza urbana e miséria, desfocando a realidade e impondo aos trabalhadores um sofrimento perverso.
A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador e trabalhadora de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental*, que podem evoluir para a incapacidade laborativa, desemprego ou mesmo a morte, constituindo um risco invisível, porém concreto, nas relações e condições de trabalho.
A violência moral no trabalho constitui um fenômeno internacional segundo levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com diversos paises desenvolvidos. A pesquisa aponta para distúrbios da saúde mental relacionado com as condições de trabalho em países como Finlândia, Alemanha, Reino Unido, Polônia e Estados Unidos. As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas, pois segundo a OIT e Organização Mundial da Saúde, estas serão as décadas do ’mal estar na globalização", onde predominará depressões, angustias e outros danos psíquicos, relacionados com as novas políticas de gestão na organização de trabalho e que estão vinculadas as políticas neoliberais.





(*) ver texto da OIT sobre o assunto no link: http://www.ilo.org/public/spanish/bureau/inf/pr/2000/37.htm

Fonte: BARRETO, M. Uma jornada de humilhações. São Paulo: Fapesp; PUC, 2000.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Livin´on prayer













O Presidente da República anúnciou, estamos quase saindo da crise, mas,
fiquem tranquilos porque não sofremos de fato os seus efeitos, foi apenas
uma "marolinha".
Pomposo disse também que a classe média atinge mais de 50% da população, isto é, houve crescimento econômico, em outras palavras, há mais consumidores! Eis, o sinônimo de crescimento e desenvolvimento!
No entanto, muitos brasileiros ou cidadãos do mundo vivem do subemprego. Seguem suas vidas sem perspectiva, se identificando com a novela das 8 hs, a procura de um final feliz.
Homens e mulheres que trabalham duro, buscando o sustento diário, rezando para que um dia o sofrimento tenha fim.
Tommy e Gina são pessoas assim, retratadas na música de Bon Jovi. Se consolam um no outro e se conformam.
Pergunto, onde estão nossos Direitos? Só nos restou Deveres?
Por que nos calamos?
Banalizaram nossa indignação em prol do bolsa família e nos tiraram o poder de questionar.

Aproveitem a música:


Livin' On A Prayer

Bon Jovi

Composição: Jon Bon Jovi

Once upon a time
Not so long ago

Tommy used to work on the docks
Union's went on strike
He's down on his luck...it's tough, so tough
Gina works the dinner all day
Working for her man, she brings to her pay
For love - for love
She says: We've got to hold on to what we've got
and it doesn't makes a differenceIf we make it or not
We've got each other and that's a lot
For love - we'll give it a shot

(Chorus)
We're half way there
Livin' On A Prayer
Take my hand- we´ll make it - I swear
Livin' On A Prayer
Tommy got his six string in hock
Now he's holding in what he used
To make it talk - so tough, it's tough
Gina dreams of running away
When she cries in the night
Tommy whispers: Baby it's okay, someday
We've got to hold on to what we've got
and it doesn't makes a difference
If we make it or not
We've got each other and that's a lot
For love - we'll give it a shot

(Chorus)

(Solo)
We've got to hold on ready or not
You live for the fight when it's all that you've got

Chorus



Uma vez
Não há muito tempo

Tommy costumava trabalhar nas docas
O sindicato está em greve
Ele anda sem sorte..é árduo, tão árduo
Gina trabalha o dia todo no restaurante
Trabalhando para seu homem, ela traz para casa seu salário
Por amor - por amor
Ela diz: Temos que nos segurar no que conseguimos
Porque não faz diferença
Se conseguiremos ou não
Nós temos um ao outro e isso é suficiente
Por amor - nós tentaremos
Estamos quase lá
Vivendo numa oração
Pegue minha mão e nós conseguiremos - eu juro
Vivendo numa oração
Tommy empenhou sua guitarra
Agora ele se segura no que ele costumava fazer
falar tão árduo, é árduo
Gina sonha em fugir
Quando ela chora à noite
Tommy sussurra: baby estará tudo bem um dia
Ela diz: Temos que nos segurar no que conseguimos
Porque não faz diferença
Se conseguiremos ou não
Nós temos um ao outro e isso é suficiente
Por amor - nós tentaremos
Estamos quase lá
Vivendo numa oração
Pegue minha mão e nós conseguiremos - eu juro
Vivendo numa oração
Estamos quase lá
Vivendo numa oração
Pegue minha mão e nós conseguiremos - eu juro
Vivendo numa oração

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